Diziam já os antigos que uma das melhores maneiras de se vencer um adversário no campo de batalha, é conhecendo-o. De uma maneira semelhante, conheceremos também melhor uma determinada forma de estar e de agir que nos incomoda, que nos faz frente no dia-a-dia, ou que simplesmente não compreendemos, se nos dispusermos a tentar conhecê-la. E uma das melhores formas (senão a melhor), de a conhecer é vestir-lhe a pele, estar do outro lado da barricada, como se costuma dizer.
Para muitos talvez já não seja novidade, mas para outros muitos, sei que seria concerteza. Para mim foi algo de muito novo, durante este fim de semana, estar do lado de quem pede algo a quem passa, neste caso, para o Banco Alimentar. E é curioso ver tantas reacções parecidas afinal com aquilo que tantos de nós, e eu à cabeça (porque se não souber de mim, quem é que saberá) reagimos perante quem pede, e até neste caso, com tanta divulgação nos meios de comunicação social, bem identificados, e com uma acção conhecida e reconhecida a nível nacional. Faz bem estar do outro lado, dá tempo para ver e pensar em muita coisa, para além de ter de agir, dar saquinhos, informar, e recolher os sacos. E depois, para além de muitas outras coisas, estar lá quando chega até nós alguém com um carrinho cheio de compras, e à nossa pergunta sobre quais são os sacos para o BACF nos dizem: "é o carrinho todo", é daqueles momentos em que algo cá dentro nos diz que afinal há coisas que valem a pena, que nem tudo é mau, quem nem tudo é crise, e que há coisas e pessoas e ideias pelas quais vale a pena lutar.
Mas o voluntariado não deixa de ser uma luta, e tramada, sobretudo porque o maior adversário acaba por não ser a indiferença de alguns, ou as respostas tortas, ou até mesmo o cansaço ao fim de algumas horas. O mais fácil acaba por ser mesmo o nosso julgamento (muitas vezes sumário) de quem nos aparece à frente, o acharmo-nos que nós é que somos heróis, o valorizar das grandes dádivas, e o esquecermos afinal o que fomos ou somos do outro lado da barricada, nos outros dias em que já não somos voluntários. E é tão dificil superar isto, que até nem damos por ela.
Agora por causa das grandes e pequenas dádivas, lembro-me de duas pessoas: uma que não aceitou saco pelo facto da esposa já estar lá dentro às compras, mas que passado algum tempo voltou para pedi-lo porque afinal ela já lá não estava, e outro que já tinha levado o saco por esquecimento para o carro, e voltou de propósito para entregar 2 pacotes de leite. À consideração.
Para quem nunca fez este tipo de voluntariado, aconselho. Não se fica igual depois de o fazer, mas vale a pena a mudança.

3 comentários:
siiiiim! =)
quando é o próximo??
;*
agora so para o ano :)
*
Caro amigo!
É por posts como este, onde partilhas certas liçoes de vida que vale sempre a pena visitar o teu blogue.
É de facto uma realidade, os juizos de valor que fazemos em relação ao que desconhecemos. Talvez seja medo, insegurança, falta de cultura!
Nunca estive desse lado da barricada.
Mas sei que não é facil pedir para uma causa (seja ela qual for), somos sempre mal interpretados, verbalmente atingidos e vitimas de juizos de valor que na realidade não desconhecemos! (porque como dizes... fazemos o mesmo)
Mas no meio de tantas dificuldades há sempre algo ou alguem que nos faz pensar que vale a pena...acreditar!
DM
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