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23 de Outubro de 2008

"Apocalipse Now"...ou só um pressentimento que tive

Há dias cheguei a casa ao final da tarde e não havia luz. Nada de extraordinário, certo? Sobretudo se pensarmos que mais hora menos hora voltamos a tê-la. Mas nesse preciso momento precisei também de água, e não havia. E essa coincidência, que não me lembro de ter acontecido até aí, fez-me reflectir. Numa ideia catastrofista, é verdade, mas que não deixa de ser hipotéticamente possível. Curiosamente, hoje uma notícia do JN diz que a nascente do Rio Tejo está cada vez mais escassa, e as razões não são apenas os desvios que os "nuestro hermanos" fazem dos cursos fluviais, como todos nós sabemos, mas razões de escassez de recursos em que preferimos não querer pensar.

Há uma pergunta que me surge: se em algum dia a água e a luz, cujo controlo está entregue a empresas de fornecimento a quem pagamos, tivessem o fornecimento com os dias contados, ou com a necessidade de serem racionados, será que essas empresas nos informariam disso? Isto é, se só houvesse água potável para 15 dias, e luz para outros tantos, essas empresas: 1) informavam esse facto? 2) pediam um racionamento ?, ou 3) nada diziam e tentavam resolver a situação arriscando-se ao colapso sem nenhuma informação?

Talvez pudesse colocar outras hipóteses, mas com a política de mercado que vejo, e com o receio do pânico, da perda de lucros, eu sei lá, ocorreu-me que a última hipótese pode ser a mais provável. Quanto à luz, no caso da falha total, ela seria visível de facto. Já com a água...pergunto-me de que é que as empresas se lembrariam para não deixar de vender água...ou qualquer coisa parecida com ela.

Mas pensem só na electricidade. Em toda a que é necessária quer para as nossas casas, quer para o trabalho e as máquinas, sejam de que tipo fôr e que precisem dela para trabalharem. Ou melhor, pensem na falta dela, a sério, não durante 1 hora, nem 2, nem 1 dia, nem 2, nem numa semana, mas sem prazo, ou mesmo indefinidamente. Eu sei que haveria sempre uma mente brilhante (as pessoas sempre foram peritas a ter ideias brilhantes em momentos trágicos ou de catástrofe, mas quando tudo está bem todos são tão inteligentes que não conseguem ter a ideia brilhante de poupar os recursos!) alguém que arranjaria uma solução a curto ou médio prazo, mas imaginem que nenhuma solução é possível. 100% sem electricidade.

Ok, eu sei que gosto de comer, e uma das minhas primeiras ideias é o frigorífico. E não é que não hajam outras soluções, mas têm que concordar que as vemos um bocado bem lá na idade da pedra, como a salga ou fumeiro. Mas depois há pessoas que não podem comer muito sal (fumam ou comem coisas bem piores, mas ok), e quem não goste de coisas fumadas (lá tínhamos que comer presuntinho de manhã como nas aldeias, que chatice). Voltando a falar a sério, já pensaram a quantidade de refeições e alimentos que temos dependentes do nosso frigorífico, para já não falar da arca frigorífica? (eu sei, eu sei, passávamos a comprar mais frescos, ok, mas a sério, pensem na nossa dependência real que está em causa; nem toda a gente está hoje em dia virada para mudanças de hábitos como essa)

Não me vou alongar muito mais porque é fácil descobrirem tudo aquilo que nos rodeia e que trabalha a electricidade. Mas há uma coisa que gostava de lembrar: computadores e toda a informação que metemos lá para dentro (ou para CD ou DVD ou Pen Drive ou Discos Externos e todas as outras engenhocas que existem mas que precisam - excepto as que usam pilhas - de ser alimentadas eléctricamente).
Lembrei-me de ter acabado de fazer as minhas backups e pensar "ah, agora sim, estou descansado, já tenho tudo guardadinho", e no dia seguinte CAPUT, não há mais electricidade. Enquanto a bateria der, ok, mas e depois? E isto ao nível global, a quantidade de informação armazenada que precisa de ser trabalhada e que não pode ser acedida de outra forma? E a própria memória histórica das nossas sociedades. Sim, porque também nos dizem que temos que poupar no papel (e é verdade), os livros vão passando a e-books, e um dia destes temos tudo lá dentro, até as instruções para o controlo das nossas casas...é verdade...ainda mais essa...

Catastrofista, pessimista, talvez... mas isto ocorreu-me por pensar que temos que tratar desta nossa dependência em relação a estas coisas. Sei que podem surgir soluções de armazenamento, leitura de dados, uso de outras fontes de energia, mas eh pá, façam isso, inovem, mas também pensem em não gastar os recursos como se eles fossem eternos, porque não são. Sabem de quantos planetas iguais ao nosso precisávamos se todo o planeta consumisse recursos como a população da América do Norte, por exemplo? 5 (vi num documentário recente na internet). Por isso se anda em corridas desenfreadas para conseguir pôr um homem a viver o mais depressa possível na lua, que é para se começar a consumir outros 4 mais depressa (e são americanos, que coincidência). E quem não puder ir para lá? Em vez de 1º, 2º e 3º mundos, vamos ter 1º, 2º e 3º planetas, certo? Assim não vamos lá.

Poupar é o primeiro passo. Com imaginação, tudo se consegue. Foi assim que acabámos por dominar este planeta. E vai ter que ser assim para evitarmos a nossa própria destruição. Ou pelo menos a destruição daqueles que não tiverem a possibilidade de emigrar para o espaço.

(Imagem tirada daqui)

18 de Outubro de 2008

Esta semana abandonei o meu carro

Esta semana abandonei o meu carro. Deixei-o no seu cantinho da garagem. Fui até à cidade, caminhei, viajei de transportes publicos, vi as pessoas, vi a cidade. É verdade que apanhei chuva, que esperei pelo autocarro e pelo metro, que fiquei mais cansado ao fim do dia, que perdi algum tempo. Mas perder-se-á tempo realmente?

É que também me apercebi que quando passo os dias metidos no meu cubiculo de 4 rodas, para cá e para lá, a ouvir a minha música musica, regalado com o meu umbigo, que até nem vejo porque a roupa e o cinto (de segurança, às vezes) não me deixam, perdi também um mundo de coisas, de cheiros, de observações. De ver pessoas, as suas expressões, as suas reacções, de ver a cidade, de conhecê-la, de ter que saber o nome das ruas e das paragens, os números dos autocarros, as linhas, de ver os gatos a passarem ao nosso lado, de rir com uma tolice, de ver a realidade triste de quem caminha sozinho quando estamos à espera em qualquer lado por qualquer coisa, de sentir a água da chuva cair na face, ou o sol a queimar na pele, de ver crianças a implicarem com os pais, de ver idosos a barafustar com o tempo e com o mundo, e no fim...vejo-me a mim, já não apenas o meu umbigo, mas a mim como parte de tudo aquilo.

Não vale a pena fingirmos dentro do carro que ali somos nós e que ali é que estamos bem. Não digo que andar de carro é a pior coisa do mundo. Mas experimentei SABER mais um pouco quem sou junto dos outros iguais a mim, em vez ficar a saber que estou acordado só poeque tenho alguém que me está a buzinar atrás porque o sinal já mudou.


Acho que perder tempo é relativo. Há sempre algo que se ganha. Só é preciso ver bem.
Gostei. Vou continuar.

Imagem daqui.

16 de Outubro de 2008

Express youself, don't repress yourself

Faz-me confusão quando as pessoas, em vez de se expressarem, preferem reprimir aquilo que querem dizer a alguém só porque vai dar mais trabalho, porque se vão incomodar, ou na pior das hipóteses, porque vão ter consequências desagradáveis por esse acto, uma vez que esse alguém é chefe. Este receio é fundado no medo de represálias pelo simpes facto de se querer protestar contra alguma situação ou alguém. O que se torna ainda mais caricato quando o alvo da crítica também propaga ser defensor desse mesmo direito de expressão, ou pelo menos pratica esse direito consagrado na nossa Constituição, e pelo qual os nossos Sindicatos tanto pugnam. Já não falo do país, porque não o conheço todo. Mas nos nossos pequenos mundos de trabalho, e no meu em particular, a liberdade de expressão, embora não reprimida explícitamente, é todos os dias manipulada pelos mesmos que reclamam por ela fora do seu mundo mais próximo, e fazem-no através do subterfúgio em cadeias hierárquicas, emoções convenientes, relações de amizade ambíguas, ou duplas personalidades que se manifestam caso faça chuva ou sol na cabeça de cada um ao acordar.

E depois a língua portuguesa ganha conotações que já muitos conhecerão, mas que a mim me fazem rir, mas rir de raiva. Por exemplo, a expressão “Hoje o chefe está mal disposto, e é melhor não falar com ele sobre esse assunto”, não significa que temos muito apreço pelo chefe que até está num dia não, e por isso vamos ser bons amigos e deixar essa conversa para uma outra altura. Significa sim que se falar desse assunto o chefe se vai exaltar, achar incompreensível e absurdo falar daquele assunto, proferir um “NÃO QUERO SABER” rotundo, eu me vou chatear, vamos chegar a um impasse, o problema não vai ficar resolvido, e eu vou para casa com uma enorme dor de cabeça.

Não sei se terá de acontecer exactamente desta forma, porque existem variáveis, como o nosso conhecimento do assunto, a nossa insistência, a firmeza de carácter face ao abuso e à exaltação, e sobretudo, o nosso conhecimento dos nossos direitos, e do maior, ganho há 200 anos na Revolução Francesa, de que o ser humano é igual em direitos perante a lei. E a lei não se pode confundir com uma pessoa em especial num determinado momento. Mas há quem ache ser preferível a submissão, o deixar andar, o “estamos mal mas podia ser pior”, o deixar as pessoas viver com a ideia que são os novos donos e senhores do mundo, e que ter poder não é sobretudo responsabilidade e serviço, mas sim transformar o espaço que dominamos num grande campo de batalha para reinar melhor sobre o que se dividiu com dúvidas, mal entendidos, e acessos de raiva para espantar os espíritos que incomodam.

E depois falam de uma coisa que aconteceu em 1974, que nos deu a liberdade, e tal e coisa, mas a verdade é que cada um de nós tem um pedacinho de instinto ditador, e quando nos custa aceitar que as coisas tal como estão funcionam mal, mas ao mesmo tempo não queremos abrir mão do que é nosso, e não há imaginação para fazer melhor, puxamos dos galões, e é assim, e mais nada.

Ao menos o Salazar, ao que consta, falava baixinho. Já era uma vantagem!
Mas não liguem. Isto passa. (dizemos nós tanta vez, não é?)

Imagem daqui.

8 de Outubro de 2008

Aparecer....ou como diz uma colega minha "Olá.Adeus"

Olá

Sei que ando desaparecido há algum tempo, mas é só porque tenho andado a ocupar-me de um espaço que me é muito caro e está a crescer, aqui, e estão convidados a visitá-lo. Logo que arranjar um tempinho volto cá.

Até breve