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Estão abertas as inscrições para voluntários, famílias de acolhimento aos jovens, ou para simplesmente participar neste evento que trará à Invicta as Fontes da Alegria!

29 de Fevereiro de 2008

"Este país não é para velhos"

"No country for old man", é o título original deste filme que estreou hoje em Portugal, mas que provavelmente só vi hoje porque, de entre 4 filmes que gostaria de ver, era o único em cartaz no Norte Shopping. E valeu a pena, ainda que pela reacção de grande parte do público, o filme tenha parecido uma seca, tanto que esta gente parece mais habituada a finais convencionais hollywoodescos. Mas não vou contar o final, podem ficar descansados.

Quando saí da sala perguntei, e perguntei-me, sobre as razões que aquele filme teria para ganhar o óscar de melhor filme (razões mesmo sérias, e não apenas as dos cifrões e das "mafias" do show biz), e dei comigo a chegar a conclusões que aqui gostava de transcrever apenas para tentar convencer aqueles que começarão a ouvir dos amigos que o filme é uma seca.

Não sei se há muita gente que sinta isto (e eu ainda não cheguei aos 40), mas sabem daquela sensação, quando olhamos algumas vezes para crianças em volta de um computador sobre o qual teimamos em não compreender pormenores, ou então, no outro extremo, quando vemos situações e acontecimentos no nosso mundo, no nosso país, ou até mesmo na nossa cidade, que nos parecem incríveis, ou demasiado maus para ser verdade, e pensamos: "como é que é possível acontecer isto", "onde é que isto vai parar","como é que há gente assim?", "como é que se cometem certos crimes", "como é possível que certas pessoas e jovens pensem desta forma", ou apenas "porque é que não compreendo esta ou aquela acção de alguém, esta ou aquela forma de pensar dita mais moderna"? Não há necessáriamente em todas estas situações um debate de gerações, mas esse debate, esse confronto, umas vezes pacífico, outras não, é algo de muito real, sempre existiu e há-de existir, e põe em rota de colisão mundos com diferentes formas de ver a realidade, e de objectivos também.

Todos nós nos tentamos adaptar ao longo da vida, é algo que faz parte da natureza humana, embora uns o consigam melhor do que outros. Mas às vezes, em certas situações (mesmo que na prática o não façamos ou nos recusemos a fazê-lo, ainda que apenas inconscientemente), parece que há um ponto de não retorno, em que a nossa mente baixa os braços, em que nos vemos numa redoma de vidro, e embora ainda consigamos tocar a realidade lá fora, já não conseguimos passar totalmente para o lado de lá, já não conseguimos compreender certos modos, certas atitudes, certas coisas que nos parecem simplesmente ridiculas, ou exageradas, ou sem sentido, ou simplesmente más, porque estranhas para nós. É claro que isso se torna mais óbvio para uns do que para outros, dependendo da força de vontade de cada um em resistir a essa ultrapassagem pelas coisas que vão acontecendo no fio da vida, ou até da idade ou situação na vida.

Este filme fala também disso (a meu ver) além de outras coisas. Fala da distância entre o mundo que vem de trás, que assiste à mudança, que não compreende como se pode ter chegado ali, e que dentro de uma redoma, não tem força para mudar e mudar-se, simplesmente porque não compreende a origem de tudo aquilo, (representado no Xeriff-Tommy Lee Jones-) e o mundo que nasce, que age à revelia das regras tradicionais, e que é louco o suficiente, não só para esmagar o que vem de trás, como para se afogar na própria ignorância de si próprio e do trilho que traça, desdenhando qualquer dos valores tradicionais por um qualquer objectivo pessoal, ou até criando princípios radicalmente novos para si próprio.

O absoluto destas evidências contrasta depois com a relatividade/fragilidade das coisas, dos acasos da vida e das personagens de todos os que intervêm na acção, muito ao jeito das personagens criadas pelos irmãos Cohen, como eu já vira em "Fargo", mesmo para um vilão tão sinistro e aparentemente tão poderoso como o que é representado magistralmente por Javier Bardem (o inquisidor Irmão Lorenzo d'Os Fantasmas de Goya").

Um bom exercício de reflexão do mundo actual, e um filme, no meu entender, não só para a galeria dos vencedores de Hollywood, mas também para a galeria da história da sociedade humana.
Verão que vale a pena.

28 de Fevereiro de 2008

"Autopsiaram" Jesus Cristo?

Há uns tempos falava eu daqueles jornais que umas meninas, logo pela manhã, nos tentam meter pelo carro adentro quando paramos nos semáforos. Não, ainda não foi desta que o conseguiram fazer, ainda que cada vez mais seja o único da fila a dizer à menina que não (um dia até pensam que isto é pessoal). Mas eis que chegado ao meu local de trabalho, onde se tornou já hábito existirem "abancados" 3 títulos diferentes destes jornais (lá se foram os de referência, sinal dos tempos, ou não), eis que um deles me chama à atenção, pelo título em rodapé:

" Autópsia diz que Jesus Cristo morreu com uma paragem cardio-respiratória"

Como estava a tratar de um assunto, não peguei logo no Jornal para indagar o que se passava. «Ah, ah, embora não totalmente, consegui uma primeira resistência ao objectivo de quem tinha elaborado aquele título: chamar simplesmente à atenção para o Jornal» pensei eu.

1ª ideia que entretanto veio à cabeça: surgiu alguma coisa de novo sobre aquele assunto? hmm, não me parecia;

2ª ideia: mas sobre que assunto seria a notícia afinal? Nas minhas lides judiciais já me passou pelas mãos um indíviduo com a alcunha de "Jesus Cristo", e acreditem ou não, com a onda noticiosa que por aí anda em cima da justiça, e atendendo ao historial da pessoa, pensei que o senhor tinha entretanto morrido e que já tinham feito a autópsia. Ok, eu sei que na notícia os nomes vêm em maiúsculas, mas eu só tinha olhado de relance.

E perguntam vocês o porquê desta admiração toda. Sei que nem toda a gente achará importância a isto, mas começo pela forma como tratamos as palavras hoje em dia, como olhamos e analisamos as próprias palavras que nos entram pelos olhos, e por fim, como os profissionais da escrita de hoje, como certos jornalistas, apenas no intuito de chamar a atenção sem saberem (ou não quererem saber) do seu próprio significado.

Autópsia

1. exame médico de um cadáver, com o fim de determinar as causas da morte;
2. (sentido figurado) inspecção de si mesmo;
3. (sentido figurado) análise crítica minuciosa;
(Do gr. autopsía, «acto de ver com os próprios olhos»)

(in Dicionário da Porto Editora Online)

Acabei por pegar no jornal e ver entretanto a notícia, e mais um título, "Autópsia revela causa da morte de Cristo", e fiquei a saber que se trata efectivamente do Jesus Cristo da História, e não do meu meliante. E o que traz lá? Como eu supunha, nada de novo. A notícia dá conta da publicação de um livro "A Crucificação de Jesus", de Frederick Zugibe, médico legista norte-americano e ex-patologista-chefe do Instituto de Medicina Legal de Nova Iorque (um CSI, diriamos hoje), que faz uma análise aos dados bíblicos da Paixão de Jesus Cristo, e com eles fala do que já se sabia de como terá morrido e porque causas, aproveitando para bater nas teorias clássicas apresentadas por Mel Gibson no filme "A Paixão". Teorias que como o próprio nome "clássicas" indica já são contestadas pela larga maioria da comunidade científica e de estudos bíblicos que trata deste assunto, e por isso, é uma crítica já conhecida de quase todos. Portanto, a Oeste nada de novo.

Agora, já por estas paragens, a coisa é um pouco diferente. Que eu saiba (a notícia não o diz, e se calhar seria melhor o Jornal indagar, porque então não está a noticiar a melhor notícia de todas), o Dr. Zugibe não autopsiou Jesus Cristo (pelo menos não este a que se refere no livro), isto é, não fez o exame médico de um cadáver, e por isso, se quem elaborou o título sabia disto, a notícia é, no mínimo, enganosa. Se não sabia, que rico jornalista aqui temos (que nem sequer assina o que escreve). No mínimo, umas aspas na palavras, isto para dizer que o sentido da palavra é figurado. Sei que objectivo destes periódicos não passa por informações aprofundadas dos temas, mas a procura de ligeireza, não substitui o rigor de se ter que informar bem, e não fazer da informação um circo de palavras, utilizadas sem pensar no mais importante quando se escreve, que é o leitor.

Mas que conseguiram chamar-me a atenção, lá isso fizeram. Ganharam o 1º round. Enviei o meu protesto ao referido jornal, por isso, vamos lá ver se eu consigo empatar isto.

26 de Fevereiro de 2008


"Há vários entendimentos."


Talvez isto já não seja novidade para muitos, mas sabiam que uma das frases que mais se ouve nos corredores de uma instituição como um Tribunal, nos dias que correm, é esta?


Embora do meu ofício façam parte as lides da justiça, não sou nenhum expert, mas também não faço só aquilo que me mandam fazer. O que pretendo é apenas saber do meu mester o suficiente para merecer o que ganho ao fim do mês, e para prestar o melhor serviço possível aos cidadãos, que é para isso que devia servir ser funcionário público. Mas há uma coisa que não entendo. É que quanto mais regulamentos, códigos legislativos e decretos aparecem, com o objectivo de regulamentar, legislar, fixar normativos para que as pessoas saibam com que linhas se cosem, cada vez vejo mais entendimentos, opiniões, de quem dirige as instituições ou simplesmente é entendido nas matérias legais. Sabem aquela do "cada cabeça sua sentença?"

É que é mesmo assim, para cada dia, para cada situação nova, para as quais foram feitas leis, tiradas dezenas de fotocópias, publicadas em Diários da República e Textos de Apoio, quando se nos depara um problema a resolver, e embora se tenha a ideia do que se fez antes, e da lei que está no papel, já não basta o que os juristas pensarão sobre isso (e já nem nos metemos por aí) vem alguém dizer que..."olha, tens que fazer assim". "Mas então isso não era de outra forma, não está assim na lei?" "Pois, mas isso da lei pá...há vários entendimentos..."

Há muita coisa que o cidadão comum não entende porque não conhece porque não lhe importa ou simplesmente não está informado (o que também não devia ser desculpa - e não é, de facto, à luz da lei, como se vê no artº 6º do Código Civil1), ou imagina muitas vezes que isto é como nos filmes ou nas novelas (mas isso é outro assunto).
Mas eu, cá dentro, também percebo cada vez menos este mundo em que trabalho, e se é verdade que muita gente se pergunta lá fora o porquê da existência de certas leis sem execução prática, nem imaginam que para além dessas há um submundo de entendimentos, que vão servindo para confundir e atrapalhar quem quer trabalhar com a lei no resolver de questões das pessoas.
Mas também, parece que muito pessoal por aqui também já se habituou a isto, e não lhes ocorre que também por isto, e não só por outras causas, se podia lutar um bocado.
Eu é que não me habituo...

(e quando alguém que anda por estes meandros há mais tempo do que nós, nos diz, perante uma situação que nós já vimos acontecer tanta vez e sabemos que é normal, que se trata de algo muito estranho...! Ao fim do dia, é delicioso, e faz-nos pensar..."sim senhor, era mesmo isto que eu ainda precisava ouvir hoje...")

1 "A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas"

25 de Fevereiro de 2008

Propósito


Acordei um dia, de manhã, a perguntar aos meus pés para onde queriam que os levasse.


Eles responderam: "primeiro levanta-te, depois logo se vê."

7 de Fevereiro de 2008

Rentrée, que é como quem diz, voltei a escrever

Pois é. Não há fome que não dê em fartura, e mesmo sem muita actividade (nenhuma mesmo) durante uns tempos, a verdade é que este blog recebeu 2 prémios, e depois disto, tenho a certeza que fico na calha ao pulitzer. Antes de mais obrigado a ambos os blogs e respectivas autoras, e desde já os meus parabéns porque são espaços bem mais úteis que este. São eles, "Sentimentos à flor da pele" e "Páginas marcadas".

A atribuição de tão ilustres prémios obedece a regras, que são:

- Indicação da pessoa que lhe deu o prémio com um link para o respectivo blog (foram duas e já está

- Mostrar tag do prémio e as regras;

- Indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio;

Deve exibir (orgulhosamente!) a tag do prémio no seu blog.

So, here's my vote: Portugal.....one point! Ah, não, caramba, não são estas....ok, ok

Páginas Marcadas

Sentimentos à flor da pele

O Peregrino

Condor de Oro

Viagens 100 Fim

Ruivães Visivel

Diário de Bordo

11:11

Algumas eram óbvias, e não só só 7, mas eu recebi 2 prémios, ok?

Agora só volto depois do fim de semana. Também já não falta assim tanto, escusam de se por aí a salivar. É só para não perderem tanto tempo a ver se há alguma coisa de jeito. Quem é amigo, quem é?

Nota: O pulitzer é um prémio que dão a uns senhores quando escrevem coisas bonitas e com sentido que agora também se lêem naquelas coisas em papel que também são jornais e que agora aparecem por baixo dos assentos dos autocarros e que umas meninas empurram para dentro dos carros quando paramos nos semáforos (ah valente, já pareces o saramago a escrever...)