É que também me apercebi que quando passo os dias metidos no meu cubiculo de 4 rodas, para cá e para lá, a ouvir a minha música musica, regalado com o meu umbigo, que até nem vejo porque a roupa e o cinto (de segurança, às vezes) não me deixam, perdi também um mundo de coisas, de cheiros, de observações. De ver pessoas, as suas expressões, as suas reacções, de ver a cidade, de conhecê-la, de ter que saber o nome das ruas e das paragens, os números dos autocarros, as linhas, de ver os gatos a passarem ao nosso lado, de rir com uma tolice, de ver a realidade triste de quem caminha sozinho quando estamos à espera em qualquer lado por qualquer coisa, de sentir a água da chuva cair na face, ou o sol a queimar na pele, de ver crianças a implicarem com os pais, de ver idosos a barafustar com o tempo e com o mundo, e no fim...vejo-me a mim, já não apenas o meu umbigo, mas a mim como parte de tudo aquilo.
Não vale a pena fingirmos dentro do carro que ali somos nós e que ali é que estamos bem. Não digo que andar de carro é a pior coisa do mundo. Mas experimentei SABER mais um pouco quem sou junto dos outros iguais a mim, em vez ficar a saber que estou acordado só poeque tenho alguém que me está a buzinar atrás porque o sinal já mudou.
Acho que perder tempo é relativo. Há sempre algo que se ganha. Só é preciso ver bem.
Gostei. Vou continuar.
Imagem daqui.

1 comentários:
"faz parte ser um pouco perdido,
faz parte começar outra vez,
faz parrte ir atrás dos sentidos e voar,
a sentir o mundo na ponta dos pés"
Ouve outra vez as músicas "entre achados e perdidos", "ao teu redor", "faz parte" e "os dias"... fizeram-me agora lembrar de ti e do que escreves neste pedacinho. =)
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