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27 de Maio de 2008

a forma da tua mão em mim

"...então, desenho o teu corpo em mim,
a forma, da tua mão em mim,
pudesse ser essa a forma do mundo inteiro,
acordo, só para te ver dormir, assim... em paz"

(in "Pressinto", de Mafalda Veiga)

A vida (também) é feita de momentos... dos automáticos, dos programados, dos que passam ao lado, mas sobretudo dos inesquecíveis, daqueles que apenas ficam dentro de quem os vive, e daqueles que por felicidade ficam retidos numa memória física, neste caso uma foto. E faz bem saírmos do tornado de coisas em nossa volta e por um bocadinho, só por um bocadinho, aterrar nessa memória, nesse pedaço de tempo fabuloso porque irrepetível, ou talvez não.

Os tempos não estão fáceis, é o trabalho, tarefas, decisões a tomar, rumos a decidir, mas há uma coisa que afinal permanece, que vai criando uma linha, que prende pedaços que teimam em soltar-se de nós, que nos agarra a um chão que já conhecemos, e que afinal, se não repete exactamente aquele momento, torna-o de certeza imortal, e cola-o a tantos outros momentos, a tantos outros gestos. Essa coisa não tem nome, não lhe quero dar nome. Porque eu sei o que é, tu sabes também, todos sabemos. Nomeá-lo era fazê-lo perder a graça, e prender a uma palavra algo que vive em tantas.

O autor da foto, o nosso caro Paulo, disse que aquela mão só poderia ser a tua, e eu concordo. Não por estar lá e ter a certeza disso, mas porque SÓ podia ser mesmo a tua. Porque tal como uma palavra não consegue conter em si o algo mais que nos leva ao encontro um do outro, também a imagem não consegue conter o mundo de meiguice, de cumplicidade, de presença, de Amizade, que transborda daquele toque, daquele gesto. Por isso se tornou imortal, e afinal, tão renovado (e não apenas repetido) por ti, em tantos momentos bons e menos bons. Porque os maus...só se não existisses.

Obrigado

1 comentários:

Rakka disse...

:')
O amor não se agradece. Ama-se incondicionalmente.
Sabes sempre o momento certo... vir de mansinho cá dentro e trazer uma brisa quente que conforta a alma e arrepia a pele. Deixo-me abraçar pela sintonia tantas vezes presente nos sentidos e na voz. Guardo-te cá dentro como um tesouro precioso, um sonho daqueles que nos roubam o ar quando os vemos realizados. Abraço cada vez mais o calor que fica entre as nossas mãos dadas. Obrigada eu por me mostrares a beleza que se pode conter (e fazer crescer) num pedacinho do mundo...