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Estão abertas as inscrições para voluntários, famílias de acolhimento aos jovens, ou para simplesmente participar neste evento que trará à Invicta as Fontes da Alegria!

27 de Novembro de 2007

Fitinha azul...


"Fitinha azul, a todos fica bem
à menina Mãe, melhor do que a ninguém

Vai de roda em roda, vai de fita em fita
Ela é tão vaidosa, escolhe a mais bonita, escolhe"

Eu sei que se calhar é um assunto banal, mas há dias, quando ía de Metro para casa, uma menina cantava esta música para a mãe, e eu recordei-me logo da letra, porque também eu a cantei quando tinha a altura dela.

Gostei da sensação de viajar no tempo a que ela me conduziu, mas também me levou àquilo que se perde nesta viagem que todos fazemos, à sua espontaneidade, e a esta coragem de que vivem as crianças em ver muitas vezes o mais simples, o que nos foge a nós dos olhos, ou que não queremos ver, e em cantarem simplesmente porque lhes apetece cantar, ou fazerem uma birra quando acham que têm que a fazer, mesmo que a mão do pai ou da mãe estejam ali prontas para um abanão para as fazerem calar (no meu tempo ainda era assim).

Fez-me lembrar as vezes em que nos acontece não cantar quando desejavamos muito faze-lo, ou não fazemos aquela "birra", não tomamos aquela atitude, que até era necessária, porque senão arriscamo-nos a levar esse abanão, mas agora da sociedade, dos que estão ao nosso lado, do status, dos "amigos", da nossa dita consciência (que será realmente, a nossa?)

«-Mãe, dá-me a caixa dos lápis de côr!
- Para estragares esta como fizeste à outra? Não te dou.
-Oh dá-me! Só para ver, eu não a abro.
-Pega lá.

E a menina pôs-se a olhar, a revirar, e passados 30 segundos, deu a caixa à mãe.

-Estás satisfeita?
-Oh! Não tem o verde claro!»

26 de Novembro de 2007

Llama Nando... do outro lado do mundo


Já foi há algum tempo, mas o Llama Nando fez mais uma aventura, e desta feita até à terra dos moais, a Ilha da Páscoa.

Visitem a página dele (Condor de Oro) e ficarão a saber de novidades inauditas, como a devoção que um tão remoto povo tem à Virgem de Fátima, que até os nomes das filhas são sobretudo Fátima e Maria, mas que ao contrário de muitos americanos sabem realmente onde fica Portugal.

22 de Novembro de 2007

Fim de dia

Estava na paragem havia 2 minutos. Só faltava um último autocarro para apanhar e ele estaria em casa depressa. Para fazer o resto do trabalho. Para fazer o que é correcto e ganhar forças para o dia seguinte. Olhando para o lado viu já um "705" com o motorista a acender as luzes e pronto a arrancar, e que servia perfeitamente. A música do mp3 ajudava-o a aguentar melhor o frio e a água da chuva, num final de dia como tantos outros. E foi então que ouviu:

- Ei! Ei!
Seria com ele? O tipo berrava mesmo alto.
- Ei! Ei!

Reparou que era mesmo com ele, e já sabia quem era. Um pobre desgraçado que aquela hora estava ali sempre para apanhar o 604, e que volta e meia se metia com alguém a querer que o cumprimentassem, um coitado, que afinal, e logo aquela hora, em que o que ninguém quer é que nos chateiem, lá aparecia aquele chato, um "deficiente", a quem alguns não ligavam nenhuma, e a quem outros apenas cumprimentavam para se livrarem dele.

- Ei! Ei!

A ouvir o mp3, olhando para um lado e para o outro da paragem, lá dava para disfarçar, à espera que o homem desistisse de o chamar. E eis que o autocarro se moveu e veio para a paragem. E ele voltou-se, dando de caras inevitavelmente com o homem que tão alto o chamava, pois o mesmo se levantou de imediato. E que lhe fez uma pergunta em altos brados que ele não percebeu.

«Ok, deixa lá ver o que quer o homem» Tirou um dos auscultadores do ouvido, e cumprimentou a mão que o pobre homem lhe estendeu. E mais uma vez ele fez algo que lhe pareceu uma pergunta, mas que não percebeu. Até que à terceira as palavras se tornaram inteligíveis.

- Portugal! Era para saber como está Portugal! Não 'tá a ouvir?
- Ah, isso! Não sei. Estou a ouvir música.
- Ah! Deixe lá então. Obrigado.

Começou então nesse momento aquele sentimento de patetice misturado com vergonha, ou culpa ou qualquer coisa do género que tenta limpar uma nódoa com um produto que ainda a faz aumentar mais.

- Mas eu vi que há pouco estava 0-0. A sério, vi há pouco que estava 0-0.
Ainda que o "há pouco" tivesse sido há meia hora. Mas enfim. Devia servir. Tinha que servir.
- Obrigado - respondeu o homem, que se voltou a sentar.

No autocarro tentou lembrar-se se o homem tinha ficado ou não satisfeito com a resposta, mas acho que ainda agora não se deve lembrar. Mas lembra-se de não ter ficado nem um pouco satisfeito com a sua própria resposta, ou se tinha dado de facto alguma que se aproveitasse.

20 de Novembro de 2007

Desafio: uma coincidência...ou talvez não

Dei muitas voltas à cabeça se colocava aqui este post. Mas acho que vale a pena.
Há dias, ouvia melhor um tema musical que me diz bastante, e que é conhecido pela sua "tonalidade" romântica, e até é cantado em dueto. Reparei então melhor na letra. E foi como se tivesse acendido uma lâmpada, um reconhecimento. (continua aqui)

15 de Novembro de 2007

Retratos do lado de dentro da janela












Agora que fui forçado a passar uns tempos em casa, recebi estas imagens pelo olhar da Titusca, da neve que por terras da Polónia vai caindo... Aquilo sim é inverno. Aqui ficam enquanto a minha inspiração não chega...

Pode ser que no Natal apareça por cá com um trenó e uma rena no bolso...

2 de Novembro de 2007

"O Principezinho" de A. Saint-Exupéry

Ontem fui ver "O Principezinho", adaptação audio-visual e teatral da obra de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), em cena no Teatro Rivoli, no Porto. Já li o livro, como tantos já o fizeram, e embora tenha lido ainda mais alguma coisa deste autor, como é o caso do "Vol de Nuit"(1931), a verdade é que fiquei com vontade de me recordar melhor sobre quem foi este escritor, ilustrador e piloto de aviões no decurso da 2ª Guerra Mundial.

As obras de Saint-Éxupéry caracterizam-se por alguns elementos em comum, como a aviação e a guerra, quer em livros, quer em artigos para várias revistas e jornais em França e noutros países. Mas foi no entanto, " O Pequeno Príncipe" (ou "O Principezinho", em Portugal), publicado em 1943, o romance de maior sucesso de Saint-Exupéry. Foi escrito durante o exílio nos Estados Unidos e para muitos era difícil imaginar que um livro assim pudesse ter sido escrito por um homem como ele. É uma obra que nos mostra uma profunda mudança de valores, que ensina como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam à solidão. Entregamo-nos às nossas preocupações diárias, tornamo-nos adultos de forma definitiva, e esquecemos a criança que fomos.

A peça que está em cena no Rivoli destina-se sobretudo ao público infantil (embora não tão infantil como muita gente julga - não é para recém-nascidos), mas quem dos adultos conhece a obra, vê claramente nela os pontos que referi, e chamadas de atenção à forma como levamos a nossa vida que nos tocam e nos fazem reflectir. É sobretudo o texto de Saint-Exupéry, e as representações do aviador e do Principezinho aquilo que mais nos toca e enche a peça, e menos os efeitos audiovisuais, que em certas alturas até empobrecem um pouco a própria história e a simplificam. Mas talvez fosse difícil fazer melhor.

Mas o que mais me marcou neste evento, foi o facto de poder visualizar melhor o ambiente, o contexto da história, e o próprio aviador (personificação do próprio Exupéry - mas sempre negada por ele), que perdido naquele deserto, preocupado acima de tudo com a sua sobrevivência e o regresso a casa, encontra um menino extraordinário, e a oportunidade de parar, de reflectir nos porquês das coisas, de as ver de um modo diferente, de voltar à inocência do pensamento das crianças, de "ver o essencial, que não se vê com os olhos, mas com o coração". Fiquei a pensar que com as deambulações que Saint-Exupéry teve decerto na sua tarefa de aviador cartógrafo, e até espião, e pelos sítios onde andou, se não terá de facto encontrado este menino que lhe contou a sua história. Porque era bom de facto existir assim alguém que nos lembrasse (e se calhar até há, nos é que fugimos dele) de vermos as coisas tal como elas são, e não como muitas vezes desejamos que sejam. Dar importância aquilo que tem realmente importancia.

Ou então nos sonhos, como o "Menino do Piano" da Mafalda Veiga... já não era nada mau para começar.

«Vi um menino com um piano
No céu da minha cabeça [...]
Vinha tocar o seu piano, como só nos sonhos pode ser
Por entre as nuvens e as estrelas, apareceu quando viu adormecer»

(Saint-Éxupery faleceu durante uma missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy. Em homenagem póstuma, recebeu as maiores honras do exército. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilômetros da costa de Marselha, mas o seu corpo jamais foi encontrado)

(Informação sobre a vida de Saint-Exupéry retirada daqui )