"Fitinha azul, a todos fica bem
à menina Mãe, melhor do que a ninguémVai de roda em roda, vai de fita em fitaEla é tão vaidosa, escolhe a mais bonita, escolhe"Eu sei que se calhar é um assunto banal, mas há dias, quando ía de Metro para casa, uma menina cantava esta música para a mãe, e eu recordei-me logo da letra, porque também eu a cantei quando tinha a altura dela.
Gostei da sensação de viajar no tempo a que ela me conduziu, mas também me levou àquilo que se perde nesta viagem que todos fazemos, à sua espontaneidade, e a esta coragem de que vivem as crianças em ver muitas vezes o mais simples, o que nos foge a nós dos olhos, ou que não queremos ver, e em cantarem simplesmente porque lhes apetece cantar, ou fazerem uma birra quando acham que têm que a fazer, mesmo que a mão do pai ou da mãe estejam ali prontas para um abanão para as fazerem calar (no meu tempo ainda era assim).
Fez-me lembrar as vezes em que nos acontece não cantar quando desejavamos muito faze-lo, ou não fazemos aquela "birra", não tomamos aquela atitude, que até era necessária, porque senão arriscamo-nos a levar esse abanão, mas agora da sociedade, dos que estão ao nosso lado, do status, dos "amigos", da nossa dita consciência (que será realmente, a nossa?)
«-Mãe, dá-me a caixa dos lápis de côr!- Para estragares esta como fizeste à outra? Não te dou.-Oh dá-me! Só para ver, eu não a abro.-Pega lá.E a menina pôs-se a olhar, a revirar, e passados 30 segundos, deu a caixa à mãe.-Estás satisfeita?-Oh! Não tem o verde claro!»