Foi ontem a noite em que Mafalda Veiga voltou ao Coliseu do Porto, num acontecimento que foi verdadeiramente um 3 em 1 para mim. Porque não um 2 em 1? Porque para além do João Pedro Pais (que me surprendeu imenso pela positiva ao vivo), pude rever e ouvir um grande senhor da música portuguesa, Fausto. Muita coisa se poderia dizer sobre este concerto memorável, num Coliseu cheio, que cantou 99% do reportório apresentado, quer fosse da Mafalda, do J.P. Pais ou do Fausto, ou até mesmo do José Mário Branco, muitas vezes de uma forma arrepiante. Desde 2004 que a Mafalda não vinha ao Porto, e isso sentiu-se na forma contagiante como o espectáculo decorreu, e na empatia que J. P. Pais criou junto da plateia, também ele "tocado" pela forma como o público se expressou, bem marcado nas 2 vezes a que se referiu ao "seu Porto". Já conhecia a maneira como a MV se entrega e apresenta ao vivo, já sabia da grande qualidade dos músicos que os acompanham neste trabalho, e que ambas a fórmulas criam um espectáculo (para quem gosta do género, mas acho que também não só) sereno mas vivo. Surpreendeu-me pela positiva o J.P. Pais, apenas porque só o vira de raspão num concerto com mais artistas, e agora com mais fôlego, foi possível perceber o porquê da fórmula de sucesso desta dupla, a cumplicidade, a humildade, a gratidão ao público (3 encores depois do final do concerto não é todos os dias), e a entrega em fazer de cada tema algo de único.
Para terminar, gostava de registar aqueles temas que mexem, que fazem o tempo parar. "O dia mais longo", um tema surpreendente do J.P.Pais, "Por outras palavras", "Cada lugar teu",que a Mafalda tanto gosta de nos ouvir cantar, "Uma noite para comemorar","O Lume", dedicado ao público do Porto,"Balançar", tema novo, lindíssimo, ainda por gravar, e que ouvi pela primeira vez, e "Lembra-me um sonho lindo" de, e com Fausto.
Uma grande noite de música, de calma, de chão...de balançar entre o sentimento e a emoção, e deixar o mundo lá fora...
"Pedes-me um sonho, para fazer de chão
mas eu desses não tenho, só dos de voar
e agarras a minha mão, com a tua mão
e prendes-me a dizer, que me estás a salvar
de quê? de viver o perigo
de quê? de rasgar o peito
com o quê? de morrer
mas de que, paixão?
de quê? se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e nao ter nem sentir o vento ardente, a soprar o coração..."
("Balançar", Mafalda Veiga)
http://www.mafaldaveiga.com/
