1 de Junho de 2009

Campanha do Banco Alimentar: uma reflexão

Diziam já os antigos que uma das melhores maneiras de se vencer um adversário no campo de batalha, é conhecendo-o. De uma maneira semelhante, conheceremos também melhor uma determinada forma de estar e de agir que nos incomoda, que nos faz frente no dia-a-dia, ou que simplesmente não compreendemos, se nos dispusermos a tentar conhecê-la. E uma das melhores formas (senão a melhor), de a conhecer é vestir-lhe a pele, estar do outro lado da barricada, como se costuma dizer.

Para muitos talvez já não seja novidade, mas para outros muitos, sei que seria concerteza. Para mim foi algo de muito novo, durante este fim de semana, estar do lado de quem pede algo a quem passa, neste caso, para o Banco Alimentar. E é curioso ver tantas reacções parecidas afinal com aquilo que tantos de nós, e eu à cabeça (porque se não souber de mim, quem é que saberá) reagimos perante quem pede, e até neste caso, com tanta divulgação nos meios de comunicação social, bem identificados, e com uma acção conhecida e reconhecida a nível nacional. Faz bem estar do outro lado, dá tempo para ver e pensar em muita coisa, para além de ter de agir, dar saquinhos, informar, e recolher os sacos. E depois, para além de muitas outras coisas, estar lá quando chega até nós alguém com um carrinho cheio de compras, e à nossa pergunta sobre quais são os sacos para o BACF nos dizem: "é o carrinho todo", é daqueles momentos em que algo cá dentro nos diz que afinal há coisas que valem a pena, que nem tudo é mau, quem nem tudo é crise, e que há coisas e pessoas e ideias pelas quais vale a pena lutar.

Mas o voluntariado não deixa de ser uma luta, e tramada, sobretudo porque o maior adversário acaba por não ser a indiferença de alguns, ou as respostas tortas, ou até mesmo o cansaço ao fim de algumas horas. O mais fácil acaba por ser mesmo o nosso julgamento (muitas vezes sumário) de quem nos aparece à frente, o acharmo-nos que nós é que somos heróis, o valorizar das grandes dádivas, e o esquecermos afinal o que fomos ou somos do outro lado da barricada, nos outros dias em que já não somos voluntários. E é tão dificil superar isto, que até nem damos por ela.
Agora por causa das grandes e pequenas dádivas, lembro-me de duas pessoas: uma que não aceitou saco pelo facto da esposa já estar lá dentro às compras, mas que passado algum tempo voltou para pedi-lo porque afinal ela já lá não estava, e outro que já tinha levado o saco por esquecimento para o carro, e voltou de propósito para entregar 2 pacotes de leite. À consideração.

Para quem nunca fez este tipo de voluntariado, aconselho. Não se fica igual depois de o fazer, mas vale a pena a mudança.

26 de Maio de 2009

"mais ou menos"

Noite de festa, noite de tetracampeões, e noite de ronda... de fugas ao trânsito para encontrar pessoas, gente que joga no Campeonato da sobrevivência, daquela Divisão que existe no outro lado do espelho que temos colado às retinas no nosso dia a dia, que vemos mas que nos custa olhar, que sabemos estar ali ao lado, à distância de um passo, de uma mão aberta, mas que não conseguimos ou não queremos tocar, ou então que colocamos na nossa agenda de eventos futuros...

Trindade, 23h50. Estacionamento junto ao viaduto. Uma multidão sobe as ruas vinda da festa, Uns ainda com folguedos e energia, empenhados em dar azo à sua alegria e aos festejos pela consagração de mais uma vitória; outros em maior numero caminham a pensar já em chegar a casa e descansar, e no dia de trabalho que se avizinha. Em sentido contrario, por entre a multidão, caminham 2 pessoas. Surpreendentemente, não precisam de se desviar uns dos outros. Vão como um fio de água de um regato por entre as pedras de um vau. Há qualquer coisa que torna o seu passo fluído, sem movimentos bruscos, sem obstáculos. Quem se cruza com eles não parece estar a vê-los, e ao mesmo tempo sabe que estão ali e cedem a passagem mecânicamente. Os olhos de ambos não se cruzam, como se o ponto final da caminhada estivesse para além de qualquer olhar ou ponto físico visível.

Os 2 não vieram pela festa, não trazem chachecóis ou bandeiras. Vêm só visitar um amigo. O Sr. F., que mora ali, num lugar improvisado de cartão e plástico, que pouco consegue para comer senão aquilo que alguém lhe levar, mas que recebe sempre com simpatia e também um sorriso quem o visita e lhe corta a solidão. Mas nessa noite o Sr. F. não estava, afugentado pelo barulho e pela confusão.

De entre a multidão, alguns observam o que ali está, a "casa" do Sr. F. Conheço algum daquele olhar. De quem sabe o que está para lá da redoma mas não sabe como lá chegar. Mas não sabem também ainda da irreversibilidade que é chegar ao outro lado, e nunca mais ver o mundo da mesma forma, apenas mais claro e verdadeiro, mas nem por isso mais azul.
Fica-se mais alegre ou feliz quando se chega lá/aqui?... Ocorre-me a resposta repetida do Sr. F. quando lhe perguntamos como vai a vida... "mais ou menos". Porque afinal tudo o que existe, e se sente é "mais ou menos", e todos somos também o que decidimos ser, ou "mais ou menos". E se calhar a felicidade vem a seguir, ou a mais, ou a menos. Mas existe.

14 de Maio de 2009

construir...

"Portanto, quem ouve as minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes, os ventos abateram-se sobre a casa, mas ela não caiu, porque estava construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve as minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes, os ventos sopraram e abateram-se sobre a casa, e ela caiu, e sua ruína foi completa!" (Mateus, 7)

13 de Abril de 2009

Taizé no Porto - 2010... já é oficial!!


No Carnaval de 2010, entre 13 e 16 de Fevereiro, vão reunir-se no Porto milhares de jovens para procurar juntos as fontes da alegria.


Mais informações aqui.